Faro recebeu mais de 150 especialistas em coelho-bravo durante o European Rabbit International Workshop (ERIW25), organizado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a WWF e o projeto LIFE Iberconejo. A espécie tem sofrido um enorme declínio em Portugal e em grande parte do sul da Península Ibérica, embora desempenhe um papel ecológico vital nas paisagens mediterrânicas e nas economias rurais.
Durante o encontro, foi reforçada a necessidade de dar continuidade ao trabalho do projeto Life Iberconejo, realizando-se um balanço sobre os avanços alcançados pelo programa, como a implementação de um sistema automatizado de recolha e análise de dados sobre as populações de coelho-bravo na Península Ibérica. Este desenvolvimento pioneiro, que envolve as administrações competentes de Portugal e Espanha, permitirá dispor de informação atualizada e em grande escala sobre o estado desta espécie-chave para a sobrevivência de espécies ameaçadas, como o lince-ibérico e a águia-imperial-ibérica.
Ao longo da conferência, ficou evidente a necessidade de haver uma abordagem de gestão integrada para solucionar os vários desafios que a situação do coelho-bravo coloca: não só para promover a recuperação das suas populações, mas também para mitigar prejuízos em áreas agrícolas quando em superabundância.
Os especialistas concordaram ser importante garantir as sinergias alcançadas no projeto Life Iberconejo entre entidades de Portugal e Espanha, assim como a conjugação das várias valências administrativas, académicas, e de gestão. Trata-se de manter um espaço de partilha de conhecimento e de diálogo para solucionar desafios colocados pela dinâmica populacional da espécie (escassez ou superabundância).

Destacou-se a importância de não se perder um impulso gerado pelo projeto, de manter uma monitorização robusta e a longo prazo da espécie, estabelecer estratégias eficazes de gestão e conservação. Neste contexto importa garantir a manutenção das ferramentas e plataformas de sistemas de informação desenvolvidas, os processos de enriquecimento do saber, formação e sua aplicação no terreno.
Mais de 1400 pessoas foram formadas em monitorização de coelho-bravo, incluindo funcionários públicos, caçadores e voluntários. No ICNF, formaram-se 220 Vigilantes da Natureza.

O projeto criou uma estrutura de governação ibérica para melhorar a gestão do coelho-bravo, composta por administrações públicas, universidades e sociedade civil, incluindo ONG de conservação, caçadores e agricultores.
No evento foram, ainda, apresentados trabalhos sobre a utilização de tecnologia para a deteção de doenças em coelhos-bravos, a sua influência na recuperação de espécies ameaçadas, e o seu impacto nas infraestruturas de transporte onde existem superabundâncias.
“O futuro do coelho-bravo requer uma abordagem integrada que combine monitorização científica, vigilância sanitária, gestão territorial baseada em provas, coordenação administrativa e a colaboração entre todos os atores envolvidos. Só assim será possível assegurar a sua conservação e o seu papel essencial nos ecossistemas, em particular nos agroecossistemas, e nas economias locais, bem como equilibrar o estado das suas populações“, referiu José Calado, diretor regional de Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo.
“O ERIW25 é o último grande evento do LIFE Iberconejo, um projeto que conseguiu melhorar o conhecimento sobre esta espécie-chave e lançar as bases para uma gestão sustentável das suas populações, recuperá-la onde está em declínio e minimizar os danos que causa às culturas em algumas zonas agrícolas”, sublinhou Ramón Pérez de Ayala, da WWF Espanha e líder do Projeto Life Iberconejo.